terça-feira, 21 de julho de 2009

Importância do Enxofre para a cultura da soja



M. Sc. Eng.° Agr.° Harley Bernardes Sales

O enxofre, o cálcio e o magnésio são conhecidos como macronutrientes secundários. Embora, do ponto de vista da nutrição vegetal, nenhum nutriente possa ser considerado secundário, quantitativamente é assim que estes nutrientes são tratados. A falta destes elementos no solo pode levar a situações de deficiência, que precisam e podem ser evitadas. A mais grave entre os macronutrientes secundários é a do enxofre (Van Raij, 1991), principalmente porque cálcio e magnésio geralmente são adicionados ao solo em quantidades adequadas através da calagem. Na tabela 01 são apresentados os aumentos percentuais da produção de várias culturas em resposta ao enxofre.


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Dentre os nutrientes, o enxofre se aproxima funcionalmente do nitrogênio. Embora a quantidade de enxofre nas plantas seja 3% a 5% da quantidade encontrada de nitrogênio, estes nutrientes compartilham uma grande versatilidade em reações de oxidação-redução, um atributo que os torna fundamentais em ciclos biogeoquímicos e no metabolismo de plantas. Além disto, o enxofre é constituinte de dois aminoácidos e de várias coenzimas. O nitrogênio é encontrado em vários compostos orgânicos, incluindo todos os aminoácidos e ácidos nucléicos. As assimilações de nitrogênio e enxofre são bem coordenadas, ou seja, a deficiência de um elemento reprime a via assimilativa do outro (Epstein & Bloom, 2006).

A fonte principal do enxofre são as rochas ígneas, nas quais o elemento ocorre, geralmente, em pequenas proporções na forma de sulfato (SO4-2). No solo, a maior parte do enxofre encontra-se na forma orgânica, permanecendo combinado com carbono e nitrogênio como nas plantas, nas quais participa das proteínas. A mineralização de SO4-2 da matéria orgânica é bastante afetada pela relação C:N:S. Assim pode haver imobilização de enxofre mineral se as relações C:S ou N:S forem muito altas. Se as relações forem baixas, ocorrerá liberação de enxofre mineral (Van Raij, 1991).

Atualmente, o S está se tornando um nutriente limitante na produção das culturas, muito mais do que no passado. As razões para esse aumento na necessidade incluem:

• maior produtividade das culturas, que requerem mais S;
• aumento no uso de adubos concentrados que contém pouco ou nenhum S;
• redução nas quantidades de S atmosférico provindas da chuva;
• redução das reservas de S do solo com as perdas de matéria orgânica devido à mineralização e à erosão.
Ao contrário do que acontece com os cátions Ca+2 e Mg+2, que ficam mais retidos na camada arável do solo, o SO4-2 enfrenta três fatores que dificultam a sua permanência na camada superficial do solo, são eles:
• Presença de teores maiores de matéria orgânica, que reduzem a adsorção por óxidos e aumentam a carga negativa do solo, portanto repelindo sulfatos.
• A calagem aumenta o número de cargas negativas do complexo de troca do solo, o que resultou em maior repulsão dos íons sulfato e seu deslocamento no perfil.
• Os fosfatos aplicados em adubações ocupam preferencialmente as posições de troca que seriam ocupados por sulfatos.

De modo contrário, os menores teores de matéria orgânica a 20-40 cm de profundidade, aliados aos teores de óxidos de ferro encontrados nos latossolos, podem resultar em predomínio de cargas positivas e favorecerem a retenção do ânion sulfato (Nogueira & Melo, 2003).

Dentre as espécies cultivadas, a soja é a maior exportadora de S da agricultura brasileira (Yamada & Lopes, 1998). Estima-se que a cultura da soja na safra 2006/2007 exportou 184.000 t de S. A importância do enxofre para cultura da soja esta ligada à formação de aminoácidos, que por sua vez são necessários para a formação de todas as proteínas. A soja é considerada uma fonte de proteína completa, isto é, contém quantidades significativas de todos os aminoácidos essenciais que devem ser providos ao corpo humano através de fontes externas, por causa de sua inabilidade para sintetizá-los.

Com o objetivo de verificar a resposta da soja à aplicação de enxofre, a Embrapa Soja realizou experimentos em vários locais com diferentes doses de enxofre aplicados na cultura da soja. Os resultados podem ser observados na figura 01. As médias de produtividade seguidas por letras diferentes revelam que houve diferença estatística em função da quantidade de enxofre aplicado. Foram observadas repostas positivas na produtividade com acréscimos de até 500 kg/ha.

 


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A seguir será apresentada a recomendação oficial da Embrapa (Catellan et al, 2007) para adubação com enxofre na cultura da soja.


Adubação com enxofre

Para determinar corretamente a necessidade de enxofre (S), deve-se fazer a análise de solo em duas profundidades, 0 a 20 cm e 20 a 40 cm, devido à mobilidade do nutriente no solo e o seu acúmulo em subsuperfície.

A tabela 02 apresenta as quantidades recomendadas, de acordo com a classe de teores. No solo, os níveis críticos são 10 mg dm-3 e 35 mg dm-3 para solos argilosos (> 40% de argila) e 3 mg dm-3 e 9 mg dm-3 para solos arenosos (≤ 40% de argila), respectivamente nas profundidades 0 a 20 cm e 20 a 40 cm (Sfredo et al., 2003)

Considerando a absorção e a exportação do nutriente, a adubação de manutenção corresponde a 10 kg de S para cada 1.000 kg de produção de grãos esperada. A análise de folhas deve ser realizada caso haja dúvidas com a análise de solo. A faixa de suficiência de S nas folhas varia de 2,1 a 4,0 g kg-1 (Tabela 03).

 


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Os sintomas de deficiência de enxofre são muito similares aos da deficiência de nitrogênio (figura 02). Ocorre uma clorose geral das folhas, incluindo as nervuras, que de verde-pálido passam a amarelo.

Os sintomas iniciam-se nas folhas novas, enquanto na deficiência de N os sintomas iniciam-se nas folhas velhas. Em um estádio mais avançado do sintoma, as folhas velhas tornam-se amarelas e depois necrosadas. As plantas deficientes são pequenas e de caule fino (Borkert et al, 1994). Em situações de deficiência menos severa, os sintomas visuais não são aparentes, mas tanto a produção quanto a qualidade serão afetadas.

 


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A decisão para a melhor estratégia de fertilização com S dependerá, entre outros fatores: da reserva de S-SO4-2 no solo; expectativa de produtividade da cultura; época de aplicação; da preferência do comprador; do custo x benefício da fonte de S; dos equipamentos de aplicação e da disponibilidade de fontes que contém o nutriente. Outro fator importante é o efeito da fonte de enxofre sobre o S presente na matéria orgânica do solo. Em algumas situações, a decomposição de substâncias que possuem enxofre na matéria orgânica pode ser comprometida pela adição de enxofre mineral. Isto pode ocorrer devido à inibição da atividade de enzimas ligadas ao ciclo do S, caso da arilsulfatase. Essa enzima pode sofrer inibição pelo íon sulfato e afetar a decomposição do S-orgânico (Nogueira & Melo, 2003).

A marca Manah, possui em seu portfólio excelentes linhas de fertilizantes que fornecem quantidades equilibradas de enxofre para as plantas, são elas:
Fosmag - fertilizante fosfatado diferenciado, produzido com fonte de fósforo exclusiva (multifosfato magnesiano) com solubilidade total e gradual;
Nitrogran - fertilizante nitrogenado diferenciado, possui micronutrientes com excelente solubilidade incorporados aos macronutrientes.

Essas formulações permitem o adequado fornecimento do nutriente para as plantas e, consequentemente, altas produtividades.

 

 

Bibliografia:

BORKERT, C. M.; YORINORI, J. T.; CORRÊA-FERREIRA, B. S.; ALMEIDA, A. M. R.; FERREIRA, L. P. & SFREDO, G. J.  Seja doutor da sua soja. Informações agronômicas N. 66. Piracicaba: POTAFÓS, 1996, p. 1-6.

CATELLAN, A. J. et al. Tecnologias de produção de soja - Região central do Brasil - 2007. Sistema de Produção N. 11.  Londrina: Embrapa Soja, 2007, p. 59-61.

EPSTEIN, E. & BLOOM, A. Nutrição mineral de plantas: princípios e perspectivas. 2. ed. Londrina, Editora Planta,  2006. p. 169-201.

MALAVOLTA, E. Nutri-Fatos: Informação agronômica sobre nutrientes para as culturas. Arquivo do agrônomo N.10.  Piracicaba: POTAFÓS, 1996. p. 11-12.

NOGUEIRA, M. A. & MELO, W. J. Enxofre disponível para a soja e atividade da arilsulfase em solo tratado com gesso  agrícola. R. Brás. Ci. Solo, 27:655-663, 2003.

SFREDO, G. J.; CASTRO, C.; LANTMANN, A. F.; BORKERT, C. M. Resposta da soja a adubação com enxofre. In:  Resultados de pesquisa da Embrapa Soja - 2002: solos. Londrina: Embrapa Soja, 2003, p. 18-22.

SFREDO, G.J.; KLEPKER, D.; ORTIZ, F. R.; OLIVEIRA NETO, W. Níveis críticos de enxofre no solo para a soja, no  Brasil. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIA DO SOLO, 29., 2003, Ribeirão Preto. Solo: alicerce dos  sistemas de produção. Ribeirão Preto: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo: UNESP, 2003. 1 CD-ROM.

VAN RAIJ, B. Fertilidade do solo e adubação. 1. ed. Piracicaba, Editora Agronômica Ceres, 1991. p. 219-225.

YAMADA, T. & LOPES, A.S. Balanço de nutrientes na agricultura brasileira. Informações Agronômicas N. 84.  Piracicaba: POTAFÓS, 1998. p.2-8.




quinta-feira, 16 de julho de 2009

Cultura de arroz ganha proteção contra doenças



Cultura de arroz ganha proteção contra doenças

Texto: Thais França/AgriZ
Fotos: Divulgação

A Bayer CropScience lança um novo produto com foco na proteção da lavoura do arroz. Trata-se do fungicida Stratego é uma combinação de dois eficientes fungicidas, triazol e estrobilurina, com registro exclusivo para orizicultura no Brasil. Sua ação garante proteção contra mancha-parda e a brusone, as principais doenças da lavoura durante todo ciclo.

O Stratego para o arroz tem como principal ingrediente ativo o Trifloxystrobin, princípio mesostêmico que apresenta alta afinidade com as camadas cerosas da superfície da planta e tem a capacidade de formar uma camada protetora e resistente à lavagem da chuva, o que garante um período maior de proteção da lavoura. Entre  os  principais  benefícios do produto destacam-se: maior proteção por dentro e por fora das folhas, que ocorre devido aos dois modos de ação (sistêmico e mesostêmico), a prevenção e manejo da resistência dos fungos, também devido a associação de dois ativos de grupos químicos distintos e principalmente ao maior rendimento por hectare que resulta da proteção única.

Para o registro na cultura, o fungicida foi testado nas principais regiões produtoras de arroz no Brasil e teve sua eficiência comprovada por renomados órgãos de pesquisa, entre eles Universidade Federal de Santa Maria (RS), Instituto Rio-Grandense do Arroz (IRGA), Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural - Epagri (SC) e a Embrapa Arroz e Feijão (GO), "Para competir eficientemente com os produtores estrangeiros, os produtores nacionais precisam exercer um controle fitossanitário que defenda a sua lavoura e principalmente o seu investimento. Comprovadamente, o Strategoâ proporciona resultados muito satisfatórios no controle de doenças e confere o melhor retorno sobre o investimento", destaca Paulo Queiroz, gerente de Marketing e Mercado Fungicidas da Bayer CropScience.

O produto chega reforçando o pacote tecnológico mais completo do mercado, que vai desde sementes e defensivos agrícolas de última geração (produtos para o tratamento das sementes, herbicidas, inseticidas fungicidas) até equipes com engenheiros agrônomos altamente qualificados para oferecer orientação adequada ao orizicultor e contribuir para o aumento da produção brasileira do grão. "A previsão de aumento da demanda de arroz é uma excelente oportunidade para que o país confirme sua posição entre os principais produtores do grão no mundo. A Bayer CropScience, líder nacional no setor de fungicidas para arroz, investe alto em pesquisa e no desenvolvimento de soluções inovadoras para que os orizicultores brasileiros possam contar com o que há de melhor no mercado", conclui Queiroz.

 Fonte: Bayer CropScience do Brasil